Profissionais experientes poderão se tornar estagiários ou consultores

Na terça passada, eu era uma das mais de 50 pessoas de diferentes tons de grisalho que lotavam o auditório do Instituto Gênesis, unidade da PUC-Rio que trabalha com inovação e empreendedorismo e que também funciona como incubadora de empresas. Ali estava sendo lançado o Projeto Empreendedor Sênior, uma parceria de diversas entidades para investir no capital intelectual de quem já passou dos 50 anos.


O empresário e consultor Alfredo Laufer, que lançou o livro “Diário de um empreendedor: em busca do (re)conhecimento inovador” no final de 2017, foi encarregado de comandar a apresentação da iniciativa. Ele terá um papel de peso na empreitada: através do Centro de Empreendedorismo Universitário (CEU), buscará patrocinadores para viabilizar o projeto: “nosso objetivo é que esta experiência seja replicada no país inteiro”, enfatizou.

Destrinchando o Projeto Empreendedor Sênior, haverá duas categorias: a de empreendedor sênior estagiário e a de consultor. O grupo dos estagiários terá um contrato com base na Lei do Estágio, com dedicação de no mínimo dez horas semanais e uma bolsa em torno de R$ 450. O perfil para se enquadrar nessa categoria: gostar do ambiente de pesquisa acadêmica, de ler e estudar. Como a bolsa é modesta, não serve para quem está sob pressão financeira. A metodologia utilizada será a do programa PICT Sênior da PUC-Rio, idealizado por Fernanda Pina, que já foi tema do blog.

Já o empreendedor sênior consultor é para quem se identifica com o ambiente corporativo e tem foco na remuneração. O trabalho será de fornecer consultoria em sua área de expertise e o contrato prevê remuneração de R$ 120 por hora. Há a possibilidade de se inscrever em ambas, no site da RH40+, cujo foco é a reinserção no mercado de quem passou dos 40. A administração desse banco de talentos e a seleção de candidatos serão feitas pela empresa, cuja fundadora é Glauciane Hilário, com mais de 20 anos de atuação em recursos humanos.

Um exemplo de como funcionará o processo: imaginem uma startup que precise de alguém com experiência em finanças. O Empreendedor Sênior vai dispor de um banco de dados (com os currículos cadastrados) para localizar o perfil sob medida para aquela empresa. Na proposta, quem vai bancar o pagamento do profissional escolhido será o próprio projeto, graças aos patrocinadores que estarão por trás da iniciativa.

O Instituto Gênesis, que ano passado ficou em primeiro lugar no ranking brasileiro para melhores incubadoras vinculadas a universidades, entra com a metodologia; o CEU, com a rede de contatos; o RH40+, com os processos seletivos e a criação do banco de talentos. Há virtudes de sobra: aproveitar o capital intelectual dessa geração sênior; combater o preconceito contra os mais velhos; resgatar a autoestima dos idosos; promover o convívio entre gerações. A gente torce muito para dar certo.


Por Mariza Tavares
Jornalista, mestre em comunicação pela UFRJ e professora da PUC-RIO, Mariza escreve sobre como buscar uma maturidade prazerosa e cheia de vitalidade.


fonte: www.g1.globo.com

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