Nos últimos dias o assunto nas discussões mais acaloradas em Ibitinga foi a decisão da Prefeita Municipal em aumentar seu salário o do seu vice, bem como do seu secretariado.

Na verdade essa decisão já foi tomada há alguns dias e está sendo questionada pela Câmara Municipal quanto à sua legalidade.

Não tenho a pretensão de tratar sobre a legalidade da medida aqui nessa matéria de opinião, mesmo porque não sou detentor de conhecimento para tanto, mas minha intensão aqui é provocar uma discussão sobre se essa medida respeita os padrões éticos e morais em tempos de crise que atravessamos.

Todos nós sabemos que a atual situação econômica do pais tem gerado grandes problemas de emprego e renda.

Muitos trabalhadores perderam seus empregos e estão sobrevivendo de uma forma muito precária, principalmente um nossa cidade, cuja principal fonte de renda provem da fabricação de enxovais, item que se torna supérfluo em tempos de crise.

Ocorre que com o desemprego em níveis alarmantes, o uso dos serviços públicos, principalmente o de saúde se tornou muito constante, trazendo um aumento considerável nos gastos públicos.

Além de aumentar os gastos públicos, a falta de emprego ocasiona mais dois problemas sérios, a inadimplência na quitação do IPTU, bem como a diminuição do consumo, resultando na diminuição das vendas, impactando significativamente no pagamento de impostos, fazendo com que a Prefeitura Municipal tenha sua renda reduzida.

Não obstante à esses problemas, a Prefeita Municipal permite, em uma atitude acredito eu impensada, que seu próprio salário, bem como de seu secretariado sejam aumentados, causando um impacto de mais de R$ 17 mil aos cofres públicos, considerando os encargos sociais.

Tal atitude poderia passar despercebida se a situação da cidade estivesse em condições aceitáveis, porém não é o que está acontecendo.

Nossa cidade se encontra um tanto quanto abandonada, com ruas esburacadas, mato nas praças, sinalização de trânsito comprometida, falta de uniformes nas escolas, filas de espera para consultas especializadas, falta de alguns remédios, falta de médicos e estruturas de postos de saúde dignas de pena.

Enfim, nossa cidade necessita urgentemente de gestão, eu digo uma gestão de choque, firme e contundente, gestão essa que assuma seus erros e promova definitivamente o bem estar da população, gestão que ao invés de aumentar seus salários, utilize os recursos públicos em benefícios dos munícipes de uma forma ampla.

Somente para mostrar que é possível usar o dinheiro público de forma responsável, fiz alguns comparativos do que seria possível realizar em benefício da população com o dinheiro do aumento de salário da Prefeita e do seu Secretariado.

  • Contratar três médicos;
  • Comprar 113 cestas básicas por mês
  • Comprar 980 lençóis por mês para repor os que estão estragados no sistema de saúde;
  • Comprar 158 bolsas de colostomia por mês;
  • Pagar 21 exames por mês de ressonância magnética na rede particular;
  • Comprar 31 cadeiras reclináveis por mês para acompanhantes de pacientes que ficam internados do dia para outro a rede pública municipal;
  • Pagar mais de 140 exames de ultrassom por mês na rede particular.

Como podemos observar, o dinheiro do aumento de salário poderia sanar vários problemas que estamos enfrentando em nossa cidade.

Não estou aqui dizendo que a Prefeita e seu Secretariado não mereçam o que ganham, porem acredito que o objetivo principal de uma administração pública é beneficiar em primeiro lugar os munícipes, e o momento que nos encontramos não permite tais atos.

Tenho fé que essa decisão seja revista, pois acredito muito na responsabilidade e comprometimento de nossa gestora e de sua equipe.

Tenho dito.

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