Investidor da cidade aproveitou autorização e abriu Empresa Simples de Crédito (ESC); economista avalia os benefícios e riscos da nova modalidade

Jaú – Modelo de negócios autorizado pelo governo há pouco mais de um mês, a Empresa Simples de Crédito (ESC)  conta com 25 iniciativas pelo Brasil, sendo uma delas na região. Em Jaú (47 quilômetros de Bauru), um investidor obteve a autorização para registro da empresa e está em fase de finalização do processo para abrir as portas. Também chamada de “banqueiro individual”, trata-se de uma modalidade em que qualquer pessoa formalizada pode emprestar dinheiro para micro e pequenas empresas. O empréstimo é feito com juros, mas sem a regulação do Banco Central.

Formado em gestão empresarial, Cristian Takeshi Nogueira Kawamorita, 43 anos, aproveitou o filão e se tornou “banqueiro individual” pioneiro da região. Até agosto, ele deve inaugurar, em Jaú, a sede de sua empresa ESC, que, por enquanto, funciona no escritório de sua casa.

A iniciativa é vista de forma positiva pelo economista Reinaldo Cafeo. Ele ressalta a medida, do ponto vista do investidor, como oportunidade de rentabilizar mais recursos via mercado produtivo, podendo atingir até 30% de ganho ao ano.

A abertura de mercado aos micro e pequenos empresários deve ainda significar mais dinheiro na mão do pequeno empreendedor, que, mesmo representando 99% das empresas privadas do País, ainda tem dificuldades para conseguir capital com grandes bancos.

“São empresas, hoje, reféns da concessão de crédito. Muitas acabam buscando empréstimos em financeiras, que cobram juros de 5% a 7% ao mês. A ESC pode cobrar metade disso”, cita Cafeo.

PIONEIRO

Cristian Kawamorita foi gerente de agência bancária por 21 anos, mas, atualmente, trabalha como sócio em uma securitizadora. Após a aprovação da nova lei, ele não pensou duas vezes em abrir o novo negócio. O capital inicial apostado é de R$ 300 mil, valor máximo total que ele terá para uso nas negociações.

“Vários clientes pediam empréstimos lá na empresa, mas não tínhamos como atender”, pontua. “Sempre apostei em fundos de renda fixa e vi nesta atividade uma forma de diversificar meus investimentos. Pela taxa e custo, avaliei que seria possível o retorno de até quatros vezes a aplicação, em um período de até 6 ou 7 anos”, completa Cristian.

Ele obteve o registro da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) em 29 de maio. Quando abrir as portas, a ESC deve chamar C.KCred Eireli. Cristian diz que conciliará o trabalho nas suas duas empresas.

“Por enquanto, estou pesquisando quais modalidades de empréstimos farei, o capital de giro e financiamento de máquinas, por exemplo. E quais as taxas de juros devo aplicar e em quantas vezes os valores serão parcelados”, detalha.

LIMITAÇÃO

Sua atuação, contudo, só pode contemplar moradores de Jaú e de cidades que fazem fronteiras com o município. E não é possível realizar operação para pessoas físicas, somente para micro e pequenos empresários.

“A ideia é aproximar o pequeno investidor de um parente, não é uma atividade de banqueiro de fato, porque há limitação de faturamento anual”, reforça o economista Cafeo.

RISCOS

Quem vai entrar nesse seguimento, contudo, precisa ter certeza do risco que está correndo, alerta Cafeo. “O microempreendedor ainda tem dificuldade em separar vida financeira pessoal e profissional. É preciso critérios na avaliação dos riscos, senão a renda variável torna-se renda incerta”, pontua o economista.

Caso o tomador não pagar o empréstimo, a lei prevê que a ESC poderá usar o instituto da alienação fiduciária em suas operações de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de crédito.

O Sebrae prevê ainda que, em dois anos, mil empresas, como a de Cristian, devam injetar R$ 20 bilhões na economia.

Fonte:www.jcnet.combr

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário.
Por favor, digite seu nome